Terça-feira, Novembro 04, 2003
Texto do amigo Dalmo.
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O Nordeste na telona
por Dalmo Oliveira
Três produçoes cinematograficas recentes, em cartaz nos melhores cinemas do pais, mostram, mais uma vez, como o Nordeste continua sendo uma fonte privilegiada para a cinematografia tupiniquim. Quem ja assistiu “Lisbela e o prisioneiro”, “Amarelo manga” e “O Caminho das nuvens” pode perceber como a regiao mais desgraçada do pais alimenta o imaginario e os cofres da industria cultural brasileira.
Sao três abordagens diferenciadas, sendo as duas primeiras de autores nordestinos (Guel Arraes e Claudio Assis) e a outra produzida pela familia Barreto e dirigida por Vicente Amorim (Rio de Janeiro). As peliculas tratam de assuntos diversos: o amor im(possivel); destinos confluentes numa metropole caotica e um retrato do êxodo rural nordestino.
A vida no Nordeste é o grande pano de fundo, mas o tratamento de linguagem muda de um pro outro, com visoes romantizadas e folcloricas, como a historia contada por Arraes, ou pelo realismo pop do filme de Assis, ou ainda num arremedo de road movie de Amorim.
Do ponto de vista da verossimilhança, “Amarelo manga” e “O Caminho das nuvens” ganham em autenticidade, principalmente o primeiro onde o sotaque nordestinês é mais “origem” por causa do recrutamento de mais atores da regiao, a exemplo do paraibano Everaldo Pontes. A questao da imitaçao do sotaque nordestino, alias, tem sido a principal barreira nas montagens dos filmes ambientados da Bahia para cima.
Lisbela faz um resgate interessante de temas pontuais da cultura da regiao, como o matador de aluguel, herdeiro do cangaço, com a personagem interpretada por Marcos Nanini, impagavel na figura de um pistoleiro cornudo com visual de Reginaldo Rossi. A grande sacada do filme fica por conta do uso da metalinguagem, com a inserçao da historia hollywoodiana paralela em preto e branco, que Lisbela assiste em capitulos.
O filme trabalha ainda aspectos culturais nordestinos antologicos como os artistas mambembes, as feiras livres e a permissividade poligâmica ao homem do Nordeste. Inevitavelmente vinculado à narrativa inaugurada em “Auto da compadecida” (2000), “Lisbela e o prisioneiro” acaba mantendo uma certa dialogia com a narrativa da obra de Ariano Suassuna, principalmente pela relaç?o das personagens de “Leléo” e “Jo?o Grilo”, ambos enrroladores de primeira.
O script comete alguns acidentes de percurso politicamente incorretos, como na cena do parque de diversoes, quando “Douglas” diz que “(...) essa paraiba nao precisa de nada pra virar macaco (...)”, ou quando o pistoleiro insinua que os cariocas sao “frouxos”.
Ja “Amarelo manga” foge completamente daquilo que seu diretor classifica de “cosmetizaçao” do Nordeste. O filme poderia ter sido gravado em qualquer grande metropole de qualquer pais “em desenvolvimento” do ocidente (quiça Cuba), mas retrata os aspectos contemporâneos urbanoides de Recife, com seu trânsito caotico, suas pontes sobre o mangue e seus cortiços fétidos.
Um drama psicologico, que em determinados momentos remete à narrativa de classicos como “Blue Velvet”, assentado numa estética underground com a peculiaridade de uma luminosidade tipica dos tropicos, captada pela fotografia de Walter Carvalho, o filme de Claudio Assis utiliza uma linha narrativa baseada na personagem vivida por Matheus Nachtergaele. Ha entretanto, lapsos no roteiro como a ausência de tomadas nos terreiros de candomblé, apesar da relaçao com os cultos africanos serem citados mais de uma vez nas falas das personagens “Dunga” (Nachtergaele) e “Dayse” (Magdale Alves).
Do Nordeste, o filme trouxe ainda referencias da atual cena musical como a “ponta” de Zero Quatro (Mundo Livre S.A), e da Naçao Zumbi com a musica-tema do filme.
“O Caminho das nuvens” é o mais paraibano e, contraditoriamente o mais anti-nordestino dos três, ja que foi feito a partir de uma historia real de uma familia de Santa Rita, sob a otica de produtores e diretores do Sudeste. O filme conta justamente a saga de personagens nordestinos abandonando a regiao em busca de melhores condiçoes de vida no “sul maravilha”.
Destaques para o jovem ator paraibano Ravi Ramos Lacerda (“Tonho”) e para a atuaçao convincente de Claudia Abreu (“Rose”). Como road movie a que se propunha, o filme acaba por focar mais de perto as relaçoes humanas numa familia massacrada pela falta de oportunidades sociais.
Tendo como eixo-narrativo a tematica do êxodo, “O Caminho das nuvens” aponta mais uma vez o nordestino de pires nas maos. E o ângulo do exotico, do forasteiro, que embala a desgraça desse povo nas cançoes de Roberto Carlos. O momento mais “nordeste” do filme, como nao poderia deixar de ser, é a passagem por Juazeiro do Norte (CE), quando “Romao” (Wagner Moura) e sua familia visitam o santuario do Padre ‘padrinho’ Cicero. Fé e miséria como marcas do povo da regiao. Tendo como um dos financiadores a empresa Souza Cruz, incomoda no filme as cenas repetidas do pai fumante que oferece o primeiro trago ao filho menor.
Entre o cosmético, o realismo ficcional e a dramaturgia alienigena, as três obras cinematograficas reforçam ainda mais a urgência da construçao de um nucleo de produçao que nao so utilize o Nordeste como “pauta”, mas que, efetivamente tenha origem, destino e controle na vasta e competente cadeia produtiva cultural nordestina.
(Dalmo Oliveira é jornalista).
por Thea
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Quarta-feira, Outubro 01, 2003
Muralistas,
O texto abaixo foi escrito pelo Eduardo... O que chega a ser cômico, de tao tragico, virou uma crônica literaria, mas inspirada em fatos, infelizmente, super reais. Quantos ja passaram por situaçao similar? E o tipo de coisa cotidiana que faz o cidadao se sentir um nada x nada! Mas o Eduardo colocou sua reaçao no papel. Veja la!
VOCE TRABALHA OU E FUNCIONARIO PUBLICO?
- Boa tarde. Eu mudei para a cidade ha um ano, mais ou menos. Sou proprietario de um veiculo e preciso fazer a transferência de placa para Blumenau. Como devo proceder?
- O senhor paga estas duas taxas no banco, reune copias destes documentos e volta aqui.
Correndo o olho posso ver a lista de documentos indicados, com “copia do (RG) e (CPF)” e “Comprovante de residência”, sublinhados a caneta.
- So isso? Preciso mais alguma coisa?
- Paga as taxas, reune as copias destes documentos e volta aqui! Proximo!!
Ja no banco Besc (um banco publico)...
- Boa tarde. Pra recolher essas duas taxas tenho que enfrentar esta fila toda?
- Infelizmente, sim. Hoje é dia 10 e com menos de 3 ou 4 horas na fila o senhor nao vai conseguir sair daqui.
No outro dia, depois de uma hora na fila, as taxas estao pagas e retorno à Delegacia, conforme a ordem recebida.
- Bom dia. Aqui estao as taxas pagas, o comprovante de residência, as copias de RG e CPF, o Recibo de Transferência original e, como o carro esta financiado, trouxe também copia do Contrato de Financiamento.
- Ah, isso nao precisa.
- Deixa junto mesmo assim. No ano passado precisaram. O senhor precisa destes originais dos documentos para autentica-los?
- Esta no formulario que so precisamos das copias, nao dos originais. So que o senhor, primeiro, tem que fazer a vistoria. Depois volta aqui.
- Ah, tinha que ir antes à vistoria?! Tudo bem.
Feita a vistoria, de novo para a Delegacia, entrego os documentos...
- O senhor volte daqui a 10 dias uteis, com este canhotinho.
Decorridos 18 dias (entre uteis e nao), volto para retirar os documentos. Como a fila nao estava tao grande, em uns 10 minutos estava eu diante do balcao, entregando o “canhotinho”.
O funcionario abre suas gavetas, pergunta o nome pra confirmar e emenda:
- O senhor tem que trazer o contrato original de financiamento.
E nao se espantem. E a pura verdade.
- O quê?????
Nem precisa lembrar que todos os documentos originais estiveram comigo, no momento em que dei entrada ao processo, e que foram todos dispensados. Alias, a propria copia do Contrato – se nao fosse pela minha insistência, teria sido dispensada. Também é desnecessario dizer que foi inutil falar com a chefia do funcionario, porque as ordens eram do chefe dela.
Resta-me sair, indignado, para a sexta estaçao (buscar o tal contrato), vitimado pela ma vontade, preguiça, incompetência ou sabe-se la o quê destes funcionarios que mantemos em seus postos às duras custas do nosso trabalho.
Novamente na fila, um pouco maior agora, e...
- Boa tarde. Trouxe o contrato. Acho que tem que ser entregue para sua chefia.
- So um minuto. (Sai o funcionario e volta com a chefa).
- Ah, o senhor?!. Nao precisava mesmo o contrato original. O chefe mandou pedir desculpas.
- Eu mereço!!!!! E quem vai pagar o transtorno do meu trabalho?
- Desculpa, mas isso ja nao é problema nosso.
- Entao a senhora faz o favor de ler e entregar para seu chefe este texto, porque pode ser que algum jornal se interesse em publica-lo e nao quero que vocês sejam os ultimos a ficarem sabendo.
(Pego o documento e saio, enquanto outra vitima protesta indignada diante de mais um caso de incompetência...).
Pelo tanto que trabalhamos e pagamos impostos, bem que merecemos funcionarios, chefes e chefes-dos-chefes mais preparados e com vontade de fazer o seu trabalho, para que qualifiquem os serviços prestados. Finalmente, precisamos cidadaos menos resignados e conformados que deixem de dizer apenas “Amém. Sim, senhor!”.
Espero que este relato contribua para que um dia nao precisemos mais ouvir a historica pergunta: “você trabalha ou é funcionario publico?”
Blumenau-SC, 30 de setembro de 2003.
(Eduardo Gois de Oliveira).
por Thea
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Terça-feira, Setembro 30, 2003
A mafia "Bush Corporation"
As vezes, a gente escreve coisas que nos fazem parecer aqueles psicoticos com mania perseguiçao, de conspiraçao; quando nao, somos so politicamente chatos mesmo!
Pois bem, vejam so que esta pegando no pos-guerra (tem certeza disso?) do Iraque: recebi de uma lista que participo uma mensagem que conta que alguns empresarios e lobistas ligados a Bush criaram uma consultoria com o objetivo de dar "auxilio" a empresas interessadas em investir no Iraque.
Eh noticia de capa da versao on-line do NYTimes de hoje: www.nytimes.com.
O site da tal consultoria seria o: http://www.newbridgestrategies.com/index.asp.
As coisas começam a fazer cada vez menos sentido, se eh que voces me entendem...
por Thea
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De novo, os transgenicos
Caros amigos, alguem ja se perguntou por que sao justamente os produtores e ambientalistas que mais protestam contra os produtos geneticamente modificados?
O desconforto do consumidor diante do que a Globo chama de "avanço cientifico" sera silencioso ou inexistente?
Nao querendo barrar o suposto progresso da civilizaçao, busco uma forma de tornar o assunto mais presente no imaginario da populaçao urbana e cheguei a uma comparaçao do que significa o papel da Monsanto aos agricultores familiares...
Eh como se, para resolver a crise de desemprego que assola o mundo, uma benevolente grande corporaçao multinacional nos propussesse o seguinte:
- Tudo bem! Nos te damos um emprego, mas para se manter nele, voce tera de nos pagar uma anuidade... voce pode, ainda, optar pelo pagamento mensal ou semestral, caso prefira assim.
Como uma assinatura de emprego, do mesmo modo que assinamos revistas e serviços.
Os felizardos que puderem bancar essa taxa (simbolica de um modo de vida questionavel) tem garantia de emprego vitalicio. Os que nao puderem, sofrerao as devidas sançoes previstas em lei, afora a marginalizaçao inerente a esse pacote tecnologico.
Estamos conversados?
por Thea
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Segunda-feira, Setembro 29, 2003
O chamado do passaredo
Eram 3h da manha. Fui despertada por uma cantoria de passarinhos que penetrava pela janela do meu quarto. Uma verdadeira conversa em alto e bom som de passaros diversos, vinda de cantos diferentes.
Aquela algazarra, mesmo que eu nao percebesse entao, soava qualquer coisa de magica, porque ela seria inimaginavel dentro da cena que se enxerga para fora da janela. O interior da quadra, que é o que se pode ver do meu apartamento, é feito de cimento, tijolos, construçoes. A unica vegetaçao que existe la fora se resume aos vasos, à grama do playground e aos arbustos decorativos dos “quintais” (se é que se possa chamar assim os pedaços de jardins improvisados ali). Sem duvida, um som que intrigava.
Em plena cidade grande, sem corredores arboreos visiveis, que possibilitasse a migraçao e o deslocamento pela sobrevivência dessas aves, julguei que elas se comunicassem de dentro de suas gaiolas, das sacadas dos apartamentos que davam para o interior daquela quadra residencial. Um pensamento triste, mas nao havia qualquer chance de ser diferente disso.
Era tudo muito estranho e em pouco mais de seis meses naquele endereço, essa madrugada era a primeira em que pude ouvir o som dos passaros. Intrigava-me pensar que eles pudessem cantar tao alto de dentro de suas gaiolas. Também fiquei pensando sobre as pessoas que moram nesses grandes centros, as “catedrais” da arte da alvenaria, que se cercam de vasos e gaiolas como uma tentativa desesperada de reter um pouco da vida que passaros e plantas representam... do modo de vida rural, do qual toda a humanidade veio.
Despertada por esse canto, perdi o sono. No inicio, até me incomodei com essa algazarra de uma natureza sobrevivente naqueles prédios de concreto por ela fazer a minha segunda-feira começar mais cedo que o habitual. Refleti sobre aquilo, enquanto o grito forte da vida la fora suplicava cada vez mais a minha atençao, atrapalhando uma leitura razoavel dos proprios pensamentos.
Liguei a TV num gesto instintivo de dar alguma finalidade àquela insônia... Objetivava me concentrar, entao, no que pudesse ser “util, pratico, produtivo”, de acordo com os padroes vigentes da modernidade e da sociedade de consumo pos-revoluçao industrial... Alias, pelos conceitos de uma sociedade consumista de vidas humanas, lazer, sonhos, ocio...
No entanto, as noticias da madrugada nao me seduziram: violência urbana, guerras, desemprego, problemas e mais problemas que, uma vez enxergados na tela, passavam a ser os meus também, de toda a civilizaçao... que se somavam às minhas proprias dificuldades e aos conflitos cotidianos.
Tentei, entao, os filmes: mais violência, mais guerras e amores futeis ou intensos, que sequer de longe eram os meus. Feita essa constataçao, abortei a operaçao de suposta produtividade adquirida pelo consumo das informaçoes veiculadas na TV.
Voltei ao escuro... Ao som estridente do passaredo urbano engaiolado. Larguei o controle-remoto ao lado da cama, onde ele se juntou à leitura inacabada, às fitas de video, às embalagens de comida e bebida para compor um quadro de desassossego, que revelava um final de semana deprimente e solitario... Isolado e absurdo. Toda aquela bagunça em volta refletia um estado de espirito confuso, disperso.
O canto dos passaros continuava la fora a me chamar: alto e diverso! Tentei decifrar aquelas vozes e identifica-las. Minha atençao passeava alternadamente sobre cada som diferente: o mais proximo, o mais distante, o mais grave, o conjunto melodioso... A alegria.
Apesar do contato profissional diario com o modo de vida e as gentes do interior, as pessoas que vivem no campo, nao conseguia dar nome aos sons e associar à cada um deles as espécies de aves conhecidas. Esse conhecimento nao era proprio de minha historia; aquela vida nao significava um acumulo meu, mas apenas uma vontade.
Afugentei de pronto esse pensamento de minha mente. Que mania essa de querer classificar, entender, de nominar para se apropriar das coisas?! E tipica de uma cultura dominadora, na qual a insegurança conduz à necessidade de possuir e oprimir. Por que eu colocava tanta dificuldade no caminho e nao podia simplesmente me deliciar com o canto contagioso daqueles passarinhos?
A natureza la fora me convidava a dividir a atençao e a vida entre outros valores e outras percepçoes que nao so aqueles contraditorios de uma sociedade de avanços tecnologicos e retardos sociais e humanisticos. Para obedecer ao chamado dessa vida, era preciso, pra começar, somente aprender a ouvir e sentir aqueles sons dos passarinhos. Mais nada!
Foi o que fiz... Logo, amanheceu. E aquela segunda-feira antecipada estava so começando. Ela foi uma semente de uma proposta de transformaçao na vida dessa mulher.
por Thea
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Quarta-feira, Setembro 24, 2003
Semeadura Transgênica
De Provisoria em Provisoria, a Monsanto enche o papo!
por Thea
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Quarta-feira, Julho 09, 2003
Alguns alertas!
Pessoal, tomo a liberdade de ocupar este espaço para dividir com vocês duas criticas-denuncias feitas pelo deputado federal do Parana, com quem trabalho, Assis Miguel do Couto (PT-PR).
O Assis esta denunciando o casuismo do lobby de associaçoes de prefeitos e vereadores em Brasilia. Ha um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) tramitando na Câmara, desde 1999, que prevê a unificaçao das eleiçoes para todos os cargos (num mesmo dia e ano), um mandato de cinco anos e a extinçao da reeleiçao. Até aqui, sem grandes problemas, mas a abertura dos debates em torno disso!
O problema é que essas instituiçoes (a AMP - Associaçao dos Municipios do Parana - acabou de defender abertamente isso na CBN Curitiba) estao querendo dar um golpe: antecipar as mudanças para as eleiçoes ja de 2004, prorrogando o mandato dos atuais prefeitos e vereadores por mais 2 anos, para fazer coincidir a eleiçao com a de presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais.
Ou seja, elegemos os caras para 4 anos e eles, com a mudança, ficariam mais dois???
O Assis, que é agricultor familiar e esta denunciando a maracutaia, defende que se forem acontecer estas mudanças, a populaçao seja bem informada com antecedência, possa se pronunciar e se programar para eleger os mandatos exatamente como eles serao. Ele defende que, no ano que vem, a gente eleja prefeitos e vereadores para um mandato de seis anos, sem direito à reeleiçao, e que em 2010 façamos as tais eleiçoes unificadas/coincidentes.
E isso que esta pegando, enquanto a cortina de fumaça dos "casos de policia" rola la no Congresso Nacional, onde, ha semanas, eles estao enrolando a discussao de segurança publica e combate ao crime organizado!!!
Quanto a isso, mais uma critica: até a discussao da reforma agraria virou caso de policia por la. Os ruralistas estao pregando a tal CPI do MST com o objetivo claro de desgastar o governo, que nao conseguir? cumprir o calendario da convocaçao extraordinaria e votar as reformas na Câmara. De onde ela seguiria, depois, para a tramitaçao no Senado Federal.
Aguardo os comentarios de quem se interessar por esses assuntos. Contra ou a favor, o importante é a gente participar dos processos, nao deixar que definam os rumos em gabinetes, fechados, e de forma mercantil. Na qual eles sempre lucram com a nossa desinformaçao ou omissao.
por Thea
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O tal boné do MST
Na semana passada, uma cena muito debatida na imprensa nacional – na paranaense, com toda a certeza – foi a do presidente Lula com o boné do MST e suas implicações sócio-políticas. Embora não haja razões para estranharmos o fato desta imagem – o boné do MST na cabeça presidencial – haver rendido tamanha polêmica, esta repercussão do fato merece, sim, algumas reflexões por parte, especialmente, de comunicadores preocupados com a responsabilidade social da imprensa.
Este artigo de opinião não se dedica à defesa do gesto de Lula, mas à análise da polêmica e da postura da imprensa nacional. Se fosse assim, as argumentações buscariam fundamentos na história de vida do atual presidente, no fato dele já ter usado broches e bonés anteriormente em exposições agropecuárias, cujas entidades promotoras são ligadas à base ruralista do Congresso Nacional e isso não ter gerado o mesmo estranhamento na sociedade via imprensa, no fato de Lula diferenciar o gesto de colocação do boné sobre sua cabeça da colocação de uma bandeira do movimento sobre a mesa presidencial e na conjuntura política, em que o MST reivindica para si o status de oposição de fato ao governo, com ocupações de terra em vários estados e criticando-o por um suposto “continuísmo neoliberal”, pressão política que predispõe o governo a priorizar essa negociação e a um “pisar em ovos” constante.
Quanto a isso, vale comentar que, embora não conste das palavras usadas em suas declarações oficiais, o MST, ao pressionar o governo por medidas imediatas, faz a ele a oposição que o PSDB e o PFL, por exemplo, não empreenderam, por força da falta de hábito, nesse primeiro semestre de governo, mas que terão tempo suficiente para se dedicar à sua capacitação até as eleições municipais do próximo ano. O MST assume nos holofotes da imprensa, hoje, sem desmerecer as necessidades que demandam urgentemente uma reestruturação fundiária no País, o lugar que, até há pouco, ocupavam os chamados “radicais” do PT. Porque oposição da esquerda a Lula dá pano pra manga, ou seja, vende!
É diante desse quadro que Lula coloca sobre sua cabeça um boné do MST e, em seguida, a imprensa repercute o fato, como não o fez em vezes anteriores em que o presidente usou outros adereços panfletários em visitas ou audiências, seja por excesso de diplomacia de Lula ou por pura necessidade deste de seduzir a oposição para faturar a abertura de uma negociação. Até pela emoção que envolve os temas MST, reforma agrária, conflito de terras, interpretações legais e acusações diversas, o fato é que o gesto do presidente Lula virou uma grande notícia. A repercussão, por meio de enquetes, de entrevistas, comentários e análises, ganhou espaço nos veículos de comunicação de cabo à rabo do País, pautadas no gancho “você acha que o Presidente errou?”, como aconteceu com uma emissora de rádio de Curitiba.
Mas mesmo em casos em que essa pergunta não foi feita tão claramente, para ser seguida do julgamento na opinião pública, o estranho é que ela não foi precedida tão pouco de uma manifestação concreta, social ou individual, de descontentamento.
A repercussão do fato começou imediatamente após a imagem e o primeiro documento concreto de descontentamento aconteceu somente na edição da Folha de São Paulo de quinta-feira: um texto assinado pelo senador e presidente do PFL, Jorge Bornhausen. Não houve, antes da repercussão, por exemplo, uma nota pública de uma entidade ligada aos setores patronais da agricultura ou de qualquer movimento que esteja em lado oposto ao MST nesse cabo de força dos conflitos fundiários brasileiros. A nota veio depois, seguida do boicote de lideranças ruralistas à solenidade que o presidente realizou no Palácio do Planalto em alusão ao Dia Internacional do Cooperativismo. E, em seguida, veio a proposta da tal CPI do MST, que está se prestando efetivamente ao papel de atrapalhar a votação das reformas na convocação extraordinária do Congresso no mês de julho.
A repercussão que a imprensa fez, portanto, do fato de Lula ter usado um boné do MST não obedeceu à trajetória natural de noticiar o descontentamento, a partir de um fato concreto, mas a pergunta foi formulada, sim, pelos próprios veículos de comunicação, que colocaram sobre suas cabeças um boné de repúdio.
Devolvo às redações e bancos acadêmicos de comunicação social a pergunta se essa repercussão, da forma como aconteceu, está em sintonia com o papel da imprensa. Nossa imprensa é o conjunto dos cinco sentidos da sociedade ou sua própria formadora de opiniões?
A imprensa brasileira se antecipou ao descontentamento ou o gerou?
Ao repercutir a cena de Lula com o boné do MST, ela se adiantou à polêmica ou instituiu e acirrou um conflito?
A disputa pela terra no Brasil e no mundo parece ser um dos problemas mais insolúveis da humanidade e é, sem sombra de dúvidas, um dos principais fatores que levam às guerras e que vão redesenhando, a partir de avanços territoriais, o mapa do poder político e, conseqüentemente, o do econômico. Qual a real contribuição social da imprensa diante desses conflitos: pautar a notícia dos fatos/conflitos na busca da verdade, se antecipar em noticiar um fato/conflito que é previsível para orientar essa busca ou criar os fatos/conflitos, a busca e a própria verdade?
Não há dúvidas, também, quanto à exploração comercial de uma polêmica, visto que ela possa render espaços importantes nos veículos de comunicação e isso signifique a venda de mais notícias ao consumidor de forma direta e a valorização dos espaços existentes na venda indireta de opiniões sob a forma de mais anúncios. O que remete à outra pergunta para a academia: é função do profissional de imprensa dos dias atuais promover a circulação das informações ou vender os espaços jornalísticos? Pensando nisso, o boné do MST em Lula foi tratado apenas como uma grande notícia ou como um grande negócio?
Comercial ou ideológico? Eis a questão.
por Thea
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Terça-feira, Junho 24, 2003
FAZENDO MEDIA
Amiges,
Semana passada conseguimos imprimir o primeiro número do FAZENDO MEDIA - a média que a mídia faz. Quem quiser receber o jornal em casa, basta enviar um emeio pra mim (salles@centroin.com.br) com o endereço completo.
Um grande abraço,
por Marcelo Salles
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